Está bem claro o impacto que o avanço das fintechs no Brasil vem provocando nos pagamentos e relacionamento com o dinheiro. Nesse sentido, as cooperativas de crédito e as fintechs têm algo em comum, que é trazer mais agilidade e praticidade para os seus clientes.

Assim, acompanhando essa tendência, vários bancos e instituições financeiras revisaram seus modelos de negócio, inclusive o Banco Central do Brasil (BC). No começo de 2020, o BC lançou o PIX, sistema de pagamentos instantâneos. Esse novo sistema deverá ser oferecido, junto com TED e DOC, aos clientes de instituições financeiras com mais de 500 mil clientes a seus consumidores.

E como fica para as cooperativas financeiras? É o que falaremos a seguir. Vamos lá?

O que são cooperativas de crédito?

As cooperativas de crédito – ou financeiras – são associações de pessoas que buscam a melhor administração de seus recursos financeiros. Similar a outras modalidades de cooperativa, elas têm o foco na ajuda mútua entre seus associados e não têm fins lucrativos, sendo que os seus resultados financeiros são distribuídos entre seus associados. Além disso, têm natureza jurídica própria e são regidas pelas seguintes regras:

Assim, aqui no Brasil as cooperativas de crédito são legalmente equiparadas às instituições financeiras. Nesse sentido, o seu funcionamento é subordinado às regras do Banco Central. Portanto, as cooperativas de crédito com mais de 500 mil clientes serão obrigadas a fornecer o sistema de pagamentos instantâneos PIX do BC, da mesma forma que os bancos.

O que são pagamentos instantâneos?

Os pagamentos instantâneos são aplicativos ou plataformas de pagamento que utilizam tecnologias de processamento de dados como QR Code para agilizar as operações financeiras. Devido ao uso dessas tecnologias, os pagamentos ou transferências podem ser realizados 24h por dia, 7 dias por semana, em questão de segundos, e seu processamento é instantâneo.

Com a implantação do PIX, a marca do arranjo de pagamentos instantâneos do Banco Central, espera-se que, além da redução dos custos, a relação com o dinheiro se modifique entre os consumidores em grande escala. A expectativa é que os pagamentos instantâneos estejam disponibilizados em instituições financeiras, inclusive cooperativas de crédito, a partir de novembro de 2020.

Como os pagamentos instantâneos afetam as cooperativas de crédito?

O cooperativismo financeiro no Brasil já é centenário, assim como os bancos. Dessa forma, seguindo a tendência trazida pelas fintechs, as cooperativas financeiras estão atualizando seus modelos de negócio para não desacelerar o ritmo de crescimento confirmado nos últimos quinze anos, período em que o setor foi devidamente regulamentado e apoiado. 

Isso porque o sistema de BaaS – Banking as a Service – trazido pelas fintechs alterou drasticamente a forma como os clientes interpretam a funcionalidade das instituições financeiras. Nesse sentido, pode ser bastante desafiador trazer não só a transformação digital como também a adequação da cultura aos novos tempos.

Nesse sentido, a necessidade de atualização de bancos e cooperativas de crédito foi catalisada pela ocorrência do Covid-19. Uma pesquisa do Banco Central de 2018 demonstrou que 96,1% dos brasileiros preferiam realizar transações comerciais com dinheiro em espécie. Isso indica uma cultura local de não utilização de aplicativos de pagamentos instantâneos ou internet banking por exemplo. No entanto, com a necessidade do isolamento social, essa atualização tem se mostrado uma necessidade de sobrevivência para instituições financeiras tradicionais, entre elas, as Cooperativas de Crédito.

Ou seja, o uso dos pagamentos instantâneos já seria uma revolução na forma como lidamos com o dinheiro de qualquer forma; com os eventos recentes, a mudança será mais rápida. Devido à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), que já estava em andamento e está prevista para entrar em vigor em agosto de 2021, bem como de tecnologias de segurança de dados, espera-se também que a ocorrência de fraudes seja menor nesse sistema de pagamentos. Isso porque deverá usar bastante biometria (reconhecimento facial ou digital, por exemplo) em conjunto com o uso de senhas.

O benefício do uso de pagamentos instantâneos deve suplantar, de forma significativa, os custos necessários para a implantação dessas novas tecnologias nas cooperativas de crédito. Neste caso, os custos devem surgir principalmente em função da implantação de novos equipamentos, contratação de serviços de terceiros e treinamento de pessoal. No caso da plataforma PIX ainda não se sabe o quanto custarão as taxas, mas espera-se que sejam menores que TED e DOC. Outra atualização refere-se aos padrões de qualidade e organização interna.

Para operacionalizar a transformação digital, a cooperativa de crédito deverá ter uma estrutura adequada para gerenciar os requisitos trazidos pela LGPD. Nesse sentido, o Banco Central implementou o padrão ISO 20022, que normatiza a comunicação na indústria financeira e orienta os procedimentos para a segurança de dados nesses ambientes.

Conforme relatório do Banco Central, atualmente há no Brasil 925 cooperativas de crédito em funcionamento. Diferente dos bancos, no entanto, as cooperativas vêm abrindo lojas físicas e não fechando-as. Em 2018, o número estimado de cooperados era de 9,9 milhões, um crescimento de 9% em relação ao período anterior. Similarmente, a representatividade das cooperativas de crédito no âmbito do Sistema Financeiro Nacional aumentou para 2,7% no nicho de carteira de crédito. Os ativos totais do Sistema Nacional de Cooperativas de Crédito (SNCC) foram de quase R$ 250 bilhões. A maior parte desse crescimento foi trazida por clientes de pessoa física.

Assim, investir em formas ágeis de pagamentos e relacionamento com o consumidor é uma estratégia importante para manter a competitividade e crescimento sustentável das cooperativas de crédito.Quer dar o próximo passo para a transformação digital em sua cooperativa? Conheça mais sobre nossos produtos aqui.